
Sempre que penso na minha Vila de eleição, fico com a sensação que sou muito exigente e que todas as minhas observações poderão causar incómodo a muita gente.
Desde muito cedo penso que Mafra deveria ser uma localidade “à sombra do Convento”.
Esta minha ideia até pode parecer confusa, mas reconheço que a mais valia de Mafra é sem dúvida o grande monumento. Este edifício gera, ou deveria gerar, por si só uma riqueza para todos. A exploração da imagem, do Turismo e de todo o seu impacto quer em Portugal, quer no mundo, poderia proporcionar atividades que fossem diretamente “lucrativas” para todos. Não vou enumerar quais as atividades que poderiam usufruir desta mais valia, mas basta pensarmos na quantidade de pessoas que visitam o monumento Património Mundial para daí poderem resultar ideias mais direcionadas ao assunto em causa.
Sendo a vila de Mafra detentora de riqueza patrimonial excepcional, as ideias deveriam surgir também na mesma linha de pensamento.
Mafra está a ficar adormecida, muito por culpa da inoperância quer das entidades civis, quer das entidades Públicas. Voltar a pensar Mafra seria uma boa maneira de acordar esta Vila e a sua população. Gerir e planear o futuro resultará muito mais do que apenas resolver problemas do presente. Acredito que se esteja a fazer isso, mas não tendo conhecimento sobre a realidade, apenas posso escrever e pensar sobre o que vejo e o que vivo no meu dia-a-dia.
Continuo com a ideia de que Mafra e o seu convento estão de costas voltadas um para o outro. Começando pela estrada que separa estas duas e acabando pelas atividades conjuntas que tardam em ser rotinas e mais valias para todos,
A vila está sem personalidade, sem paixão e parada no tempo!
Todas as iniciativas projetadas nestes últimos anos têm sido bafejadas pelo “mau investimento”. Investimentos bonitos mas que no final das contas…são completamente inúteis e sem qualquer retorno. Já não falo em retorno financeiro, mas também social! Somos uma vila de parques de estacionamento (necessários), mas cujas atividades económicas e de lazer deixam muito a desejar.
A vida social deverá retornar a Mafra e para que isso aconteça será necessário numa primeira fase investimento Público para que depois as bases possam ser acompanhadas pelo Investimento privado. Há que semear para depois colher! O que tem sido feito até agora é o contrário. As ideias surgem e dada a escassez dos recursos, a iniciativa Pública agarra e tenta superar.
Sabemos que o nosso concelho é politicamente uma área de direita, onde a iniciativa privada deveria ser prioridade, mas fazendo o balanço final, conclui-se que tudo aquilo que se faz é da responsabilidade Pública e a sua intervenção é determinante.
Como poderíamos resolver esta situação?
As ideias são sempre bem vindas e quanto maior forem, maior será a probabilidade de se encontrarem novas ideias e novas iniciativas. A câmara Municipal e a Junta de Freguesia de Mafra deveriam conceder oportunidades para que novos projetos fossem desenvolvidos e serem apoiados (talvez através de concursos públicos) e não executados pelos próprios. Utilizo muitas vezes a expressão “As Entidades Públicas são gestoras de condomínios” para reforçar a ideia de gerirem o dinheiros dos condóminos e contratarem serviços para executarem as suas obras. Ao contrário daquilo que penso, estas Entidades não só são gestoras de condomínio como também são os seus executores. Eles fazem tudo!
Com uma população em crescimento e com necessidades cada vez maiores, começa a ser quase impensável e inexequível, o serviços serem da responsabilidade destas entidades.
Poderei estar a pensar errado, não meto isso em causa, mas a libertação do Estado tem que passar a ser uma meta a curto prazo. O Estado deverá, no meu entender, ser somente um gestor de regras e não um executante das suas próprias regras.
Mafra está a precisar de acordar, de renascer, de viver e de acolher o que de bom esta população e esta região tem para dar.
Quanto ao Concelho de Mafra, não nos podemos esquecer dos grandes incentivos da região: Património Mundial (Convento, Palácio, Jardim do cerco e Tapada), Reserva Mundial de Surf e os Carrilhões. Outros incentivos existem e deverão ser protegidos, mas necessitamos de dar vida às nossas povoações e fazer com que a qualidade seja uma realidade e não apenas um slogan!







