Mistério de Abrantes? A sério? Só em Abrantes?

Notícia preocupante para a família dos músicos.
Uma preocupação que só se evidencia quando a pimenta ataca o rabinho de alguns.
Há muito tempo que este setor precisa de clarificação, mas tarda a ser transparente e a cultura tem sempre a desculpa de não se conseguir qualificar da melhor forma. Quais os critérios? Existem critérios?

Em Abrantes rebentou a bolha e alguém deu palco a esta situação.

Em suma, no cartaz das Festas de Abrantes a realizar no próximo mês de Junho, está o nome de uma Banda (Não interessa referir) que não tem, segundo as opiniões locais, mérito para poder atuar no Palco principal do evento. De acordo com a reportagem que fizeram chegar a casa dos portugueses, existe troca de favores por detrás de tudo isto. Como quem não se sente não é filho de boa gente, o assunto veio á tona e o espetáculo está montado.

Este assunto poderia ter contornos políticos e poderia, de acordo com a sugestão, seguir esse caminho, mas não o vou fazer!

Interessa-me mais e muito mais, dar alguns pontos de discussão e questionar o porquê de nunca estas situações terem sido levantadas pelos músicos (artistas) portugueses. 

Festas Privadas e Públicas

Para começar a falar do assunto, preciso explicar o meu ponto de vista. Interessa realmente saber que tipo de Festa é em relação à sustentabilidade da mesma. Se for uma festa Privada, parece-me lógico a escolha dos participantes do evento ser da autoria da Entidade organizadora e aceitar os seus critérios de escolha.
Já no âmbito de uma Festa Pública, realizada com dinheiros públicos, as coisas poderão sofrer contornos diferentes. Afinal de contas, o dinheiro é de todos nós e as oportunidades deveriam, no meu entender, serem repartidas por todos os artistas.

Oportunidades para todos

Aqui começa a problemática. Saber quem são os "todos" e em que condições poderão ser equiparados?
Neste momento, a seriação de artistas depende do gosto de quem organiza e de quem assume o poder do momento em funções públicas. Sendo assim, e de acordo com este critério, os artistas escolhidos não sofrem de qualquer contestação. Cada responsável pela gestão dos dinheiros públicos, escolhe a seu belo prazer aquilo que lhe vai na alma, sempre com a intensão de agradar o seu público-alvo.
Mas vou um pouco mais além...
Qualquer evento público pode ser dotado de êxito ou não e a responsabilidade do mesmo é e será sempre da organização pública. Mas todos os eventos são iguais? Todos têm os mesmos objetivos?

Qualificação dos Eventos

Começaria por aqui. Na minha opinião, os eventos deveriam ser realizados de acordo com um critério de qualidade. Critério esse que deveria ser quantificável, como por exemplo:

  1.  Espaço do evento
  2. lotação
  3. Segurança
  4.  Casas de banho
  5. Parques de estacionamento
  6. Acessos e áreas de lazer
  7. Dimensão  e quntidade de Palcos
  8. Meios técnicos envolvidos
  9. Temática
  10. Meios de comunicação
  11. Etc

É claro que estes critérios poderão e deverão ser mais específicos e em maior número de maneira a classificarem o evento e a se diferenciarem uns dos outros de acordo com as condições existentes para os mesmos. Pode parecer estranho esta ideia, mas todos saberão que até as praias são classificadas de acordo com a qualidade de seriação para obterem o estatuto de bandeira azul. E os Hóteis? Alguém se incomoda com a sua seriação em estrelas?

Seriação dos Artistas

Mais controversa é esta minha proposta, mas terá que existir uma seriação de artistas. Os artistas deveriam estar inscritos em algum organismo público e serem portadores de determinadas regras para poderem exercer a sua atividade. Os critérios deverão ser quantificáveis e serem atualizados (plataforma criada para o efeito) de acordo com a evolução do próprio artista. Havendo esta classificação, seria muito mais assertiva do que chegar às Finanças e solicitar apenas a abertura de atividade empresarial de músico. 

Depois de ser aceite na plataforma de artista e ser-lhe conferida a sua classificação, então sim, deveria ter a possibilidade de se inscrever e abrir a respetiva atividade como tal.

Qualificação de evento e de artistas para quê?

Esta qualificação teria a sua importância primordial. Definir prioridades e seriar o tipo de artistas presentes em cada um dos eventos. 

Imaginem por exemplo, uma qualificação de evento e de artista apenas em três blocos: A, B e C.

Considerem, a título de exemplo, a qualificação A ser a mais elevada e a C ser a menos qualificada. Assim, poderíamos sempre considerar que para um evento de X dias para um evento de classificação A, os artistas contratados deveriam ser obrigatoriamente do tipo A (na sua maioria) e de acordo com a duração e a quantidade de Palcos (e os requisitos previamente selecionados) alguns artistas do tipo B e assim sucessivamente.

E como mudar o paradigma da escolha dos artistas não serem sempre os mesmos?

Como os artistas, agora com qualificação, poderão ser diferenciados, a qualificação dos mesmos implicaria um teto limite de aquisição por parte do Estado. Isto é, imaginemos um artista de qualificação A ter o teto de 1 milhão de euros. Este crédito (não está em causa os números) não poderia ser ultrapassado na aquisição por parte do Estado na contratação dos seus serviços durante um ano em exercício. Cada artista tinha o seu cachet e estariam disponíveis para atuarem em conformidade com a solicitação da organização e disponibilidade do artista.

O mesmo seria feito para cada uma das qualificações de artistas,  naturalmente com cachets e créditos mais reduzidos. 

Algumas regras poderiam ser efetuadas por forma a garantir a diversidade de contratação, como por exemplo o mesmo artista não poder ser contratados para o mesmo evento durante um período de tempo após a sua contratação nesse evento.

E os artistas como ficam?

O papel do artista está em poder ser cada vez melhor nos critérios de qualificação e o seu cachet poder ser definido em limite máximo por qualificação do mesmo e estes poderem ser do conhecimento público.

Desta forma tornar-se-ia mais transparente a gestão de dinheiros públicos e as escolhas dos seus organizadores.

Mais e melhor?

Não sei se resultará daqui uma melhor e maior distribuição de artistas por eventos, mas ficará com toda a certeza uma maior transparência na gestão dos dinheiros públicos.

É de referir que esta qualificação e seriação apenas se destinaria a eventos Públicos, já que os Privados teriam a sua liberdade para as escolhas dos seus artistas e o valor a pagar pela sua contratação. O que não seria de desprezar é a qualificação do evento e do tipo de artistas a contratar.

Uma solução!

Para que o “mistério de Abrantes” não seja repetido por tantos outros mistérios pelo nosso Portugal, esta é apenas uma proposta simples de quem gosta da música e sente na pele os verdadeiros problemas do artista Português. Temos que dar mérito ao que de bom se faz no nosso País e dar oportunidade de diversificação cultural a toda a população. Os “bonitos” não se podem impor apenas por serem “bonitos” e os “feios” não podem ser sempre “feios” por alguns os considerarem “feios”.

Queremos artistas de qualidade em Portugal, então teremos que fazer por isso!

De uma vez por todas terá que haver “ordem” neste setor de atividade do nosso País. O problema nunca foi levantado e atualmente, e ainda bem, existem muitos artistas em ascensão. O que não está correto é esses artistas estarem dependentes dos amigos e dos amigos de amigos do poder.

Se é este o caminho que pretendem para os artistas…então “deixem-se ficar calados à espera de mais mistérios por este nosso Portugal”!

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