Obriga a parar, a olhar para dentro e a perceber se o que vivemos é realmente aquilo que sentimos ou apenas aquilo a que nos habituámos. Porque às vezes confundimos rotina com felicidade, silêncio com paz, ausência com liberdade. E no meio disso tudo, fica a dúvida a ecoar… És mesmo feliz assim, ou só aprendeste a aceitar menos do que mereces?
Vejo-te sorrir para não cair,
como quem aprendeu a aguentar.
Dizes que é só mais um dia normal,
mas eu sei o que tentas calar.
Guardas sonhos numa gaveta fechada,
com medo de os voltar a sentir.
Não é paz quando o peito aperta,
não é viver quando é só resistir.
Se o teu coração chama por ti,
porque é que finges não ouvir?
És feliz assim, a mentir ao coração?
A dizer que sim, quando grita o não?
És feliz assim, presa à mesma razão?
Ou só chamaste paz à resignação?
Trocas fogo por um abrigo seguro,
confundes conforto com amor.
Mas a vida não espera sentada
por quem vive com medo da dor.
Eu não te prometo caminhos fáceis,
nem finais que não vão doer.
Só te digo: quem foge do sonho
acaba por se perder.
Se o teu coração chama por ti,
porque é que finges não ouvir?
És feliz assim, a mentir ao coração?
A dizer que sim, quando grita o não?
És feliz assim, presa à mesma razão?
Ou só chamaste paz à resignação?




