Estacionamento para deficientes? Não sou GNR!

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Até parece que somos deficientes quando dá jeito!

Ontem, à porta do parque de estacionamento privado da Pastelaria “7 Momentos”, estacionou um carro de gama alta (só para alertar que a parvoíce está em todas as classes sociais). O condutor saiu do carro com o seu ar gingão, já com alguma idade,  e fechou a sua porta. Dirigiu-se ao lugar do morto por detrás da viatura e foi abrir a porta à sua acompanhante. Ela, loira, “espampanante” para a idade, olhar seguro e altivo saiu e dirigiu-se à referida Pastelaria. 

Pode até parecer uma história de amor de terceira idade ou uma história para elucidar a juventude de que o cavalheirismo deverá ser sempre conservado até ao fim, mas falta a parte mais desastrosa! Então não é que todo este cenário teatral se passou num lugar de estacionamento para deficientes? Onde estaria a deficiência deste casal? Até poderiam ser possuidores de tal atributo, mas o certo é estarmos organizados em sociedade e como tal existirem regras que todos deveremos cumprir. Talvez se tenham esquecido do cartão de deficiente em casa ou na carteira!

Há lugares que dão mais nas vistas do que outros

Muitas foram as vezes em que chego a um determinado lugar, com mais ou menos pressa, e não encontro lugar ali mesmo à porta! Sofro do mesmo problema da maioria das pessoas. Se pudesse levaria o carro ou o meio de transporte até ao local onde pretendo ir! Mas, todos sabemos que não é possível! Mais ainda, quando estamos com pressa, aqueles lugares de estacionamento para deficientes são mesmo convidativos para a infração! Tudo isto para vos dizer que sou feito do mesmo e não me considero diferente das restantes pessoas. No entanto, todos nós temos a responsabilidade, mais que não seja, de alertar e educar os nossos por forma a que estes nossos pensamentos se possam alterar e fazer com que os comportamentos em sociedade resultem numa maior harmonia social.

Quando refletimos sobre este assunto, constatamos a existência de lugares mais vistosos do que outros. Não quero dizer com isto que os lugares reservados a este fim sejam de maior ou menor importância do que outros, mas imaginem a dimensão, por exemplo, de lugares à porta de um hospital.

Lugares reservados a deficientes

Está regulamentado o número de lugares para determinados locais em conformidade com o número de lugares totais de estacionamento. Reforço de que estes são números mínimos exigidos em lei.

Aqui já nada podemos fazer quanto ao bom senso. Isto é, o mínimo não quer dizer e não significa que não poderão ser atribuídos um maior número de lugares de estacionamento.

Embora estejamos na era da informação tecnológica, ainda estamos a anos de conseguirmos implementar toda a tecnologia a nosso favor. Com o tempo vai lá, mas por agora teremos que nos contentar com aquilo que temos.

Parques de estacionamento inteligentes

Hoje em dia, a tecnologia em parques de estacionamento das grandes superfícies já está a dar os primeiros passos. Já conseguimos viajar pelos corredores do parque com indicações digitais sobre a quantidade de lugares disponíveis nos corredores de estacionamento. 

Um trabalho de pesquisa há já algum tempo, levou alguns alunos a pensarem na problemática de resolução do problema de estacionamento para deficientes. Chegaram á conclusão que seria relativamente fácil a questão dos lugares. Resolveram aplicar as seguintes regras:

  • Existência em permanência de dois lugares apenas para deficientes;
  • Sempre que fosse ocupado um dos lugares, o computador automaticamente conferia a reserva de um outro lugar destinado a deficientes.

A solução foi colocada em prática nos EUA em alguns locais e com muito êxito, no entanto, a tecnologia ainda não está acessível financeiramente para que possa ser aplicada em muitos outros lugares.

Mas por aqui já se poderá concluir que em parques de estacionamento referidos anteriormente em Portugal, poderão implementar estas e outras regras de estacionamento.

E nos hospitais?

Infelizmente nestes locais, onde ninguém vai para se divertir e fazer compras, a acumulação de pessoas com deficiência é em maior número. Aqui tudo acontece de forma injusta, atrapalhada e sem organização! São muitos os casos, infelizmente, a que tenho assistido. Desloco-me até lá com alguma frequência e deparo-me com situações do “arco da velha”. Também compreendo não haver tempo para se pensar nas situações consideradas menores nestes grandes centros de saúde, mas levam muitas vezes ao desespero de quem precisa!

O Hospital de Santa Maria é um exemplo muito mau para estas situações. No lado esquerdo do Hospital encontram-se lugares de estacionamento para Deficientes. Os lugares deverão cumprir a lei, mas o certo é que são deficitários para a quantidade de pessoas que podem e devem  usufruir da lei.

Os lugares servem para as primeiras consultas da manhã e a segunda vaga estaciona ao molho de acordo com a boa disposição do segurança. Se já for na terceira vaga, estaciona no parque de estacionamento do parque geral. Nem uma, nem duas vezes isso me aconteceu e mais grave ainda, em termos de justiça, o pagamento do parque geral, como é de conhecimento público, é caro e não existem exceções para ninguém! Usa parque…paga!

“Ah mas sou deficiente e os outros não pagam! Tivesse chegado mais cedo ou diga á medica para marcar consultas mais cedo!”

Parece mentira, mas é verdade! Respostas dadas por pessoas que vestem uma farda de uma empresa de segurança e que são elas, muitas das vezes, a darem a primeira imagem dos lugares onde chegamos. 

Não sou da GNR

Talvez os contratos de prestação de serviços sejam diferenciados das grandes cidades e das grandes empresas.

Na minha terra, em Mafra, os seguranças contratados ficam à porta a darem indicações às pessoas onde devem carregar na máquina para serem atendidas. Imaginem os “Burros” que somos todos nós, que nem na escolha de uma opção conseguimos acertar! Imagino os transtornos nos hipermercados da região quando as pessoas querem peixe e são chamadas para a carne ou vice-versa. Ou mesmo nas farmácias, quando em cinco ou seis opções não escolhemos as corretas! Não acham que já chega de tamanha “anormalidade”? Por aqui se vê o porquê de sermos quase pertencentes aos países do terceiro mundo!

Hoje, desloquei-me ao Centro de Saúde de Mafra e quando lá cheguei deparei-me com os lugares reservados a deficientes completamente lotados. Parei o carro em segunda fila, ajudei a retirar a pessoa do carro (deficiente) e dirigi-me ao parque de estacionamento na procura de um lugar para parquear. Até aqui tudo normal!

Ao chegar à porta do Centro de Saúde de Mafra estavam dois seguranças trajados de farda castanha. Um deles, uma mulher, delicadamente chegou perto de mim e disse:

– Sabe que senha vai tirar?

Respondi-lhe que já tinha retirado a senha (a máquina é deles e eles não gostam que as pessoas mexam!) e que estava a aguardar ser chamado. Claro que aquela pergunta vinha já com água no bico, pois tinha tirado uma senha errada e como tal, estava a perturbar o regular funcionamento do Centro de Saúde. Voltei-me para a máquina e fui corrigir o “erro” que tinha cometido. O funcionário do CS apercebeu-se e rapidamente informou que não interessava nada, pois iria ser chamado já!

Esta primeira etapa ficou resolvida, assim como e muito bem, a segunda referente aos tratamentos da minha mãe. Nada a dizer destes profissionais que tudo fazem para bem servir. Parabéns.

Ao sair do CS, verifiquei que um dos carros estacionados à porta deste num dos lugares de deficientes estava a sair de forma ilegal do lugar. Felizmente sem problemas e sem cartões de acesso a estes locais a senhora lá se meteu no carro e saiu como se nada tivesse acontecido! Dirigi-me à tal segurança cumpridora das regras e das normas das máquinas de senhas e disse-lhe:

– O Centro de Saúde não é só a partir da porta para dentro. Aqui à sua frente estacionam carros com pessoas com deficiência e os lugares estão a ser mal usados e sem controlo das pessoas que aqui estão.

Resposta rápida e simples da senhora das senhas: -Não sou da GNR!

Moral da História

  • Chegar mais cedo dá lugar para deficientes
  • Cumprir com os lugares mínimos obrigatórios é mais do que suficiente
  • Se ninguém te disser nada melhor ainda
  • Deficiente? Venho já! é só um bocadinho!
  • Estou cansado e não vi a placa também dá acesso a estes lugares
  • Cartão de deficiente? Isso ninguém usa!
Se tentares remar contra a maré:
– Não sou da GNR!

Acabo por não saber se tem mais importância a reclamação feita por aqui ou se usando os canais legais. Como ultimamente “legalidade” é coisa que é só para os outros, fico na dúvida!

Reclamação efetuada no Centro de Saúde de Mafra em 05 de Janeiro de 2023.

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