Dizer que está tudo bem nem sempre é verdade… às vezes é só uma forma de ganhar tempo, de evitar explicar o que nem eu sei explicar. Porque há dias em que “estar tudo bem” é apenas sobreviver em silêncio, à espera que algo dentro de mim volte ao sítio.
Dizes: “Estás bem?”, eu sorrio devagar,
Pinto no rosto o que não quero mostrar.
Dentro de mim, tempestade a gritar,
Mas a mentira é mais fácil de usar.
Mil perguntas, a mesma canção,
A resposta sai do coração…
Ou talvez não.
Está tudo bem! — a frase que eu sei,
Mas por dentro eu já me desmontei.
Se olhares bem, vês a dor que escondi,
Mas digo outra vez só pra ti:
Está tudo bem! — e volto a fingir,
A verdade é dura demais para ouvir.
Na multidão, sinto-me tão só,
Cada abraço não aquece, é só pó.
Grito calado, ninguém quer ouvir,
Se eu me desfaço, quem vai impedir?
Mil perguntas, a mesma canção,
A resposta sai do coração…
Ou talvez não.
Está tudo bem! — eu volto a dizer,
Mas já nem sei se me quero convencer.
Se olhares bem, talvez possas ver,
Que nada, nada está a acontecer.




