Falsa Ajuda. Onde andamos com a cabeça?

Chegamos à porta de uma grande superfície e deparamo-nos com um grupo de pessoas mandatadas para entregarem sacos de papel e solicitarem apoio à população para a compra de artigos específicos. Estes artigos servirão para dar de comer a muitas pessoas que nem comida têm para sobreviver.

Tudo isto é estranho e complicado ao mesmo tempo. Leva-me a ser frio e a interrogar-me sobre a situação.

  • Ainda existem pessoas neste mundo com fome?
  • Chegará esta comida às pessoas necessitadas?
  • Terá que ser a população a ajudar?

Ainda existem muitas pessoas com fome no mundo?

De acordo com a informação das Nações Unidas, 9,8% da população global está com fome. 

Relatório da ONU aponta que agravamento da fome mundial foi acelerado pela pandemia e guerra na Ucrânia, que aprofundou a crise de alimentos; outras formas de insegurança alimentar atingem 29,3% da população mundial.

Chegará esta comida às pessoas necessitadas?

O Banco Alimentar é uma das Organizações que presta serviço e ajuda 6 milhões de pessoas por dia. é sem dúvida um número bastante significativo que envergonha os nossos tempos. Como é possível em pleno século XXI estarmos com esta quantidade de necessitados e continuamos a assobiar para o lado.

Hoje deparei-me com uma recolha de alimentos para o Banco Alimentar no hipermercado Continente e no Pingo Doce em Mafra. Não me desloquei a mais nenhum, mas acredito que tenha sido assim em todas as grandes superfícies nacionais.

Terá que ser a População a ajudar?

Na minha modesta opinião, estamos muito atrasados sobre estas matérias falsas de solidariedade. Não podemos, nem devemos colocar a responsabilidade em cada um de nós de forma individualizada. É por esta razão que existem gerentes de condomínios, ou neste caso, políticos que representam sociedades.

Hoje deparei-me com uma recolha de alimentos para o Banco Alimentar no hipermercado Continente e no Pingo Doce em Mafra. Não me desloquei a mais nenhum, mas acredito que tenha sido assim em todas as grandes superfícies nacionais.

O que realmente se passa é vergonhoso em todos os sentidos. Em primeiro lugar aproveitam-se dos escuteiros, fardados e muito amigáveis a distribuírem sacos de papel, com a informação de que estão a praticar uma boa ação.

Depois, abordam as pessoas, deixando o ónus da vergonha para aqueles que dizem não quero saco algum ou não quero contribuir. Esta distribuição de sacos deveria ser efetuada a pedido de quem quer ajudar e não “imposto e empurrado” a todos.

Por último e mais vergonhoso ainda é o aproveitamento destas superfícies que se aproveitam da boa vontade de todos para faturarem mais uns dinheirinhos à custa do sensível “Zé Povinho”.

Pensavam que me esquecia? Finalmente temos o nosso governo (sejam eles de que cor forem) a cobrar IVA de todos os produtos comprados.

Acham mesmo que isto está certo?

Acabem de vez com esta palhaçada e com este circo de figuras parvas que todos nós fazemos quando isto nos acontece. É tempo de olharmos para este assunto de maneira mais eficaz e superiormente no campo político. Atribuam subsídios e desviem dinheiro para estas pessoas e organizações por forma a encontrarem uma solução diferenciada para o problema da fome. A fome não passa só com o “We are the World” e peditórios  mesquinhos de latas de atum, massas e salsichas.

Vamos acordar Mundo!

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