Silêncio que me mata

“O silêncio que me mata” não é a ausência de palavras. É o eco constante de tudo o que ficou por dizer. Desde que te afastaste, o mundo continua a girar, mas dentro de mim tudo abranda, como se cada segundo carregasse o peso da tua ausência. Há um vazio que não grita, mas sufoca devagar, feito de memórias que insistem em ficar e de perguntas que nunca terão resposta. Amar-te em silêncio tornou-se a minha rotina mais dolorosa, porque já não estás… mas também nunca foste embora de mim.

As luzes da cidade
apagam-se devagar,
Mas o teu lugar na
cama continua vazio.
Procuro o teu eco
em cada canto do ar,
enquanto o relógio
marca um tempo sombrio.

Gritaria ao mundo para te trazer de volta,
Mas a minha voz
perde-se nesta revolta.

É o silêncio que me mata,
Este vazio que me maltrata.

É o silêncio que me mata,
Este vazio que me maltrata.

Deixaste a saudade pendurada na porta,
E um frio constante que me invade o peito.
Dizias que o “nós” era o que mais importa,
Agora o sossego é o meu maior defeito.

Prefiro o barulho, a chuva, a tempestade,
Qualquer ruído que esconda esta verdade.

É o silêncio que me mata,
Este vazio que me maltrata.

Mas sinto que o vento começa a soprar,
Trazendo um murmúrio de um novo amanhã.
O sol vai rasgar este cinza do ar,
E a voz vai vencer esta névoa louca e vã.

As sombras recuam perante o teu passo,
O mundo desperta e volta a fazer sentido.
Vou ver o teu rosto num longo abraço,
E ouvir o teu nome, por fim, repetido.

Ouvir a tua voz a chamar o meu nome,
Num som que desperta o que estava adormecido.
O frio da ausência depressa me consome,
No eco de um tempo que não foi perdido.

As notas suspensas no ar vão vibrar,
Quebrando as correntes desta solidão.
O mundo prepara-se para cantar,
O ritmo que bate no meu coração.

Sinto o balanço de um novo compasso,
Onde a esperança não deixa de crer.
Vou preencher todo este grande espaço,
Com tudo o que temos ainda a viver.

As frases que guardo no fundo da alma,
Vão finalmente poder libertar-se.
O ruído da vida traz toda a calma,
E o nosso destino volta a abraçar-se.

Não quero mais muros nem portas fechadas,
Apenas o som do teu riso constante.
Nas ruas que foram por nós caminhadas,
A luz do futuro será deslumbrante.

As sombras que dantes me faziam medo,
Dissolvem-se agora num sopro de luz.
Vou revelar-te o meu maior segredo,
A força do amor que a ti me conduz.

O tempo parou para nos ver chegar,
E a música volta a tomar o seu posto.
Não há mais motivos para o pranto rolar,
A alegria desenha-se no nosso rosto.

Prometo que o som nunca mais se apaga,
Seremos a letra de uma canção viva.
Mas enquanto a tua voz não me resgata,
É este silêncio que ainda me mata.

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