Carta sem Endereço
Escrevo-te esta carta
no silêncio da noite,
não sei onde estás,
talvez no céu,
talvez em mim.
O pinheiro brilha,
mas falta um riso,
o eco da tua voz
ainda vive aqui.
Cada estrela é uma resposta sem som,
cada lágrima, um abraço demorado.
Mesmo longe, o amor permanece,
porque a memória é o nosso fado.
E se o vento levar estas palavras,
que as leve devagar,
pelo caminho do luar.
Talvez te encontrem,
em algum sonho,
a sorrir,
como antes de partires.
Volto a pôr o prato à mesa,
por costume,
é o gesto que me lembra o que já foi.
Falo contigo em pensamento,
e às vezes quase ouço: “estou aqui”.
E se o vento levar estas palavras,
que as leve devagar,
pelo caminho do luar.
Talvez te encontrem,
em algum sonho,
a sorrir,
como antes de partires.
O tempo passa,
mas não apaga,
a cor do teu olhar dentro de mim.
Há um Natal
que nunca acaba,
no espaço onde o amor não tem fim.
Escrevo-te esta carta,
sem endereço nem regresso,
porque o amor não precisa chegar
basta ser sentido







